A audiência de conciliação realizada nesta quarta-feira (1º) no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) terminou sem acordo entre o Sindicato dos Rodoviários e as empresas de ônibus do Rio de Janeiro. Com o impasse, a greve da categoria entra no terceiro dia e segue sem previsão de encerramento.
Durante a reunião, o sindicato patronal manteve a proposta de reajuste salarial de 4,39% e não apresentou uma nova contraproposta. Os trabalhadores, por sua vez, continuam reivindicando reajuste de 17%, piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT e de R$ 4 mil para os demais condutores, vale-alimentação de R$ 1 mil, plano de saúde e mudanças na escala de trabalho, com jornada de sete horas e meia.
Após o fim da audiência, os rodoviários convocaram uma nova assembleia na sede do sindicato, em Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio, para definir os próximos passos do movimento.
Mesmo com decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinando a circulação de pelo menos 80% da frota, passageiros continuam enfrentando longos períodos de espera em pontos e terminais da cidade.
Segundo o Rio Ônibus, que representa as empresas do setor, às 7h desta quarta-feira apenas 1.650 dos cerca de 3.600 ônibus da capital estavam em circulação, o equivalente a 45,8% da frota. A determinação judicial exige que 2.880 coletivos estejam operando durante a paralisação. No sistema BRT, a operação foi praticamente normal, com 502 dos 541 ônibus articulados em circulação, de acordo com a MOBI-Rio.
Na terça-feira (30), o presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, elevou de 50% para 80% o percentual mínimo da frota em circulação, alegando que o transporte coletivo é um serviço essencial e que a redução da oferta compromete o direito de ir e vir da população. Em caso de descumprimento da decisão, o Sindicato dos Rodoviários poderá ser multado em R$ 100 mil por dia.
Em nota, o Rio Ônibus afirmou que já garantiu o reajuste de 4,39% aos trabalhadores e atribuiu a baixa circulação de veículos ao sindicato dos rodoviários e a atos de vandalismo registrados durante a paralisação.
Já o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, criticou a decisão do TST e afirmou que a medida favorece as empresas, que, segundo ele, seguem sem apresentar propostas que atendam às reivindicações da categoria. Apesar das críticas, o dirigente declarou que a decisão judicial será cumprida.
A greve começou na madrugada de segunda-feira (29) e, desde então, tem provocado transtornos para milhares de passageiros, com redução da frota, atrasos e registros de atos de vandalismo contra ônibus em diferentes regiões da capital fluminense. Enquanto não houver avanço nas negociações, a paralisação permanece mantida.
*Com informações do G1

