Policiais militares da 3ª Companhia do 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense, estariam sendo pressionados a custear, com recursos próprios, a manutenção de viaturas e motocicletas utilizadas durante o serviço. A denúncia também envolve supostas ameaças de transferência e perseguição contra agentes que se recusassem a pagar pelos reparos. O caso chegou ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

De acordo com informações divulgadas pelo portal Agenda do Poder, mensagens compartilhadas em um grupo de policiais indicam que diferentes serviços de manutenção teriam sido realizados em veículos oficiais com despesas pagas pelos próprios militares.
Em uma das conversas, datada de 7 de julho, há relatos sobre a substituição de uma peça da direção de uma viatura, além de serviços de alinhamento e balanceamento. Segundo as mensagens, os custos teriam sido divididos entre os agentes.
Outros registros mencionam a troca de pastilhas de freio de duas motocicletas da corporação. Uma mensagem enviada em 3 de julho também detalha reparos em uma moto, incluindo troca de óleo, retentores, componentes do motor e pneu traseiro.
Além das despesas, os denunciantes afirmam que policiais que se recusassem a contribuir financeiramente poderiam sofrer represálias, como transferências para outras unidades e perseguição funcional. As supostas cobranças são atribuídas ao comando da companhia.
“Não se trata apenas de uma questão financeira. Estamos falando de dinheiro particular de policiais sendo utilizado para custear a manutenção de veículos públicos e do receio de sofrer represálias por se recusar a assumir despesas dessa natureza”, relatou um dos denunciantes, que teve a identidade preservada.
Polícia Militar abriu procedimento de apuração
Procurada, a Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que o comando do 8º BPM determinou a abertura imediata de um procedimento para investigar as denúncias e adotar eventuais medidas legais.
A corporação esclareceu ainda que a manutenção das viaturas deve ser realizada pela Seção de Manutenção do próprio batalhão ou por oficinas credenciadas pela Polícia Militar.
Ministério Público encaminhou caso para análise criminal
A denúncia foi inicialmente analisada pela 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Campos dos Goytacazes.
Em decisão de 22 de setembro de 2026, o órgão entendeu que os elementos apresentados não justificavam a adoção de medidas na esfera da tutela coletiva por improbidade administrativa.
Apesar disso, a Promotoria considerou que os fatos poderiam, em tese, configurar abuso de autoridade e determinou o encaminhamento do caso às Promotorias de Justiça de Investigação Penal de Campos dos Goytacazes.
O Ministério Público foi procurado pelo Agenda do Poder para esclarecer se houve abertura de investigação criminal e quais providências foram adotadas após o encaminhamento. Até a publicação da reportagem original, não havia posicionamento informado sobre o andamento do caso.
*Com informações da Agenda do Poder

