Sem a presença de Eduardo Paes, líder das pesquisas de intenção de voto, o primeiro debate pelo Governo do Rio perdeu parte de sua força política. O encontro acabou marcado mais pela troca de ataques e pela repetição de discursos já conhecidos do que por propostas capazes de alterar o rumo da campanha. Com audiência discreta e um dos principais candidatos ausente, a tendência é que seus efeitos sobre a corrida eleitoral sejam limitados.

Entre os quatro participantes, Douglas Ruas foi quem mais buscou conduzir a discussão para o campo das propostas. Em tom firme e sem recorrer a excessos retóricos, priorizou temas como segurança pública e educação. Também aproveitou a ausência de Eduardo Paes para criticar declarações anteriores do adversário relacionadas às mulheres, numa tentativa de desgastá-lo eleitoralmente.
Embora tenha reforçado sua proximidade política com Flávio Bolsonaro, Ruas evitou nacionalizar o debate. Preferiu concentrar sua narrativa nos problemas do estado, defendendo operações policiais para retomada de territórios dominados pelo crime e a ampliação das escolas cívico-militares como modelo para melhorar indicadores educacionais.
Anthony Garotinho, por sua vez, apostou novamente na ironia e no confronto. Transformou o debate em uma extensão de sua atuação nas redes sociais, acumulando críticas, denúncias e ataques aos adversários. O estilo combativo, porém, voltou a evidenciar uma dificuldade recorrente: apresentar propostas com o mesmo peso de suas acusações.
A trajetória política de Garotinho, marcada por passagens como secretário, deputado e governador, também carrega o desgaste provocado por processos judiciais e episódios que comprometeram sua credibilidade ao longo dos últimos anos. Durante boa parte do debate, sua postura transmitia mais sarcasmo do que disposição para construir consensos, reforçando uma imagem associada ao passado político fluminense.
Willian Siri utilizou o espaço para consolidar seu discurso à esquerda. Defendeu a reestatização da Cedae e concentrou seus ataques em Douglas Ruas, explorando sua ligação com Cláudio Castro e Flávio Bolsonaro. A estratégia dialoga diretamente com o eleitorado do PSOL, enquanto também contribui para que Ruas reafirme sua identidade junto ao campo conservador.
Já André Marinho encontrou dificuldades para reproduzir, no ambiente do debate, a espontaneidade que marcou sua carreira como humorista e imitador. Suas intervenções repetiram propostas já conhecidas de suas redes sociais e pouco acrescentaram ao confronto entre os candidatos mais experientes.
Ao final, o debate produziu mais ruído do que novidade. Houve interrupções, ataques pessoais e exploração de contradições, mas poucas ideias realmente capazes de impactar a atual correlação de forças. Sem o principal candidato na disputa e com escassa renovação de propostas, o encontro dificilmente será lembrado como um ponto de virada da eleição fluminense.
*Com informações da Agenda do Poder

