Uma auditoria da Controladoria Geral do Estado (CGE) identificou indícios da existência de funcionários fantasmas em todos os 77 órgãos do Governo do Estado do Rio de Janeiro. O levantamento apontou que centenas de servidores comissionados não registravam entrada nos prédios públicos, não utilizavam computadores institucionais e tampouco acessavam o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), utilizado na tramitação de documentos oficiais.
A investigação, iniciada no fim de março, classificou como casos de “alta criticidade” os servidores que, segundo os critérios adotados pela CGE, recebiam salários sem apresentar indícios de exercício regular das funções. De acordo com apuração do Jornal O Globo, a maioria dos exonerados tinha ligação com a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), com a gestão anterior ou com ex-secretários estaduais.
Desde o início da revisão, o governador em exercício, Ricardo Couto, promoveu a exoneração de mais de 4.283 comissionados. Apenas entre março e maio, 1.767 desligamentos foram atribuídos aos casos classificados como “alta criticidade”, gerando uma economia estimada em cerca de R$ 15 milhões por mês. A previsão do governo é economizar aproximadamente R$ 230 milhões até o fim deste ano.
Entre os casos destacados está o de Marcelo Cabral D’Almeida, ex-servidor da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas), que recebia salário de R$ 10,9 mil. Ele afirmou que desempenhava atividades externas, mas disse não se lembrar do nome do próprio gestor. Marcelo admitiu ter sido indicado ao cargo pelo deputado estadual Bernardo Rossi (União), que negou qualquer irregularidade e afirmou que parte dos servidores atuava em campo.
A auditoria também apontou a extinção de duas subsecretarias da Seas, que concentravam dezenas de cargos comissionados. Uma delas era comandada pela vereadora de Campos dos Goytacazes, Thamires Rangel (PMB), filha do deputado estadual Thiago Rangel. Em nota, Thamires negou qualquer irregularidade na gestão.
Na Secretaria do Ambiente, os auditores identificaram que, dos 128 servidores lotados no gabinete do secretário, 110 nunca haviam acessado o sistema eletrônico oficial. Já na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, apenas 90 dos 150 comissionados possuíam estação de trabalho.
O levantamento também cita outros servidores exonerados, incluindo parentes de políticos, lideranças comunitárias e pessoas com atuação nas redes sociais, todos enquadrados na classificação de “alta criticidade”. Os citados negam irregularidades ou afirmam que desempenhavam atividades externas.
Até o momento, 60 dos 77 órgãos estaduais passaram pela auditoria. Segundo o governo, a expectativa é de uma economia anual de aproximadamente R$ 355 milhões, considerando salários, férias e décimo terceiro. Os gestores receberam relatórios individuais e terão prazo para promover novas exonerações, caso sejam identificadas outras irregularidades.
Ainda de acordo com o governo, os servidores exonerados nessa revisão não poderão retornar aos órgãos de origem. Entre as secretarias com maior redução de cargos comissionados estão Trabalho, Esporte e Lazer, Turismo e Cultura.
Com informações do Jornal O Globo.

