Uma tentativa de acordão político está em andamento em Brasília. A articulação envolve representantes do governo federal, do Congresso Nacional e do Judiciário, cada qual defendendo seus próprios interesses.
Com o retorno dos parlamentares e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) às atividades, o cenário passa a ser observado com atenção, especialmente diante de investigações sensíveis em curso — como as que apuram o caso do Banco Master e possíveis desvios de emendas e verbas parlamentares.
A principal preocupação no momento é que os desdobramentos dessas apurações já são considerados inevitáveis e podem atingir políticos em pleno ano eleitoral, com impacto direto sobre candidaturas.
Segundo apuração do blog, nos bastidores do Congresso, a principal articulação envolve uma troca direta entre dois focos delicados de investigação. De um lado, está a decisão de não prorrogar a CPI do INSS, que deve se encerrar no fim de março e hoje preocupa o núcleo político do governo e parlamentares do PT. De outro, há a tentativa de impedir a instalação da chamada CPI do Master, defendida por lideranças do Centrão.
Essa possível negociação estaria sendo costurada entre dirigentes do Centrão e setores do PT, com o objetivo de reduzir frentes simultâneas de desgaste e minimizar riscos políticos.
O que está por trás das articulações
Na busca por um acordão, cada ator envolvido tem suas próprias demandas. Pressionado por investigações sobre emendas parlamentares, o Congresso envia um recado claro ao governo: o apoio parlamentar é essencial para a aprovação de pautas consideradas estratégicas para o processo eleitoral.
Ao Palácio do Planalto, por sua vez, interessa avançar em propostas como o fim da escala 6×1 e garantir no Senado a aprovação da indicação de Jorge Messias para o STF.
Nesse contexto, há integrantes do governo que defendem que as investigações não avancem em ritmo acelerado.
Outro ponto de preocupação entre os defensores de um acordão é o impacto das investigações sobre fraudes no INSS e os possíveis reflexos sobre o grupo político do presidente Lula. Nos bastidores, políticos tentam articular um acordo para frear essas apurações no Congresso. Em contrapartida, investigações que podem atingir parlamentares do Centrão também seriam desaceleradas.
A dificuldade dessa estratégia é evidente: não há como combinar esse tipo de arranjo com investigadores da Polícia Federal comprometidos em apurar esquemas de corrupção.
Relação com o Judiciário e o papel do TSE
No campo do Judiciário, o governo avalia como deverá atuar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob a presidência de Nunes Marques, tendo André Mendonça como vice — ambos indicados ao STF por Jair Bolsonaro — e com Dias Toffoli integrando a Corte durante o processo eleitoral deste ano.
O Planalto teme que a ausência de uma base sólida no Congresso e o desgaste na relação com o STF, agravado pelo caso Master, comprometam a governabilidade em um momento decisivo.
O STF, por sua vez, já demonstrou incômodo com o que considera falta de apoio do presidente Lula durante a crise envolvendo o Banco Master e a atuação do ministro Dias Toffoli à frente do inquérito.
Um termômetro da política
Do Banco Central ao Supremo, o caso Master se consolidou como um dos principais termômetros do ambiente político atual. Resta saber como os diferentes atores envolvidos vão se comportar nessa costura e se conseguirão reduzir a pressão e desacelerar as investigações com o olhar voltado para as eleições de 2026.

