O silêncio de governadores e as reações contidas de outras figuras da oposição ao encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o americano Donald Trump evidenciam o momento desfavorável da direita após uma série de reveses nos últimos meses. Além da ausência de comentários por parte de nomes relevantes do campo político, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro adotaram discurso desalinhado para enfrentar a repercussão da reunião bilateral nas redes.
Após um começo de ano positivo, embalado pela queda do petista nas pesquisas na chamada “crise do Pix”, os bolsonaristas se depararam com derrotas em série no segundo semestre. Quando o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se mudou para os EUA, articulou as tarifas e sanções contra o Brasil, os governadores de direita que despontam como possíveis presidenciáveis moldaram o discurso para associar o movimento de Trump à postura de Lula, que seria “antiamericana”.
O argumento era de que o país não estava buscando a devida interlocução com a maior potência do mundo, o que ficou difícil de sustentar depois do encontro do fim de semana — que rendeu até “feliz aniversário” do republicano ao brasileiro e elogios voltados para o “vigor” dele. Depois da reunião e da foto em que os dois presidentes aparecem sorridentes lado a lado, Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ratinho Júnior (PR) e Ronaldo Caiado (GO) não se manifestaram. Outro silêncio sentido foi o do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), principal comunicador digital do bolsonarismo, que nada falou.

