A entrevista concedida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao jornal americano The New York Times, publicada na quinta-feira (5), teve repercussão entre apoiadores do parlamentar. A reportagem, que era aguardada por aliados como uma oportunidade de apresentar sua versão sobre uma suposta perseguição política no Brasil, acabou destacando divergências entre as declarações do senador e informações apuradas pelo próprio veículo.

Logo no início, o jornal classificou a saída de Flávio do Brasil como uma fuga, após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. Durante a entrevista, o senador evitou explicar como chegou aos Estados Unidos e negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros para organizar a viagem.
“Como eu saí do Brasil, isso eu levarei para o túmulo”, declarou Flávio. A afirmação foi utilizada pelo jornal na manchete da reportagem.
A versão do parlamentar, no entanto, contrasta com informações divulgadas anteriormente pelo New York Times. Segundo o veículo, um integrante da Casa Branca teria participado das providências para disponibilizar a aeronave que transportou a família Bolsonaro da Argentina até a Flórida. O senador sustenta que organizou a viagem por conta própria, sem auxílio de terceiros.
Outro ponto abordado na entrevista foram as acusações de fraude nas eleições presidenciais de outubro. Flávio voltou a questionar a vitória de Lula, classificando o resultado como matematicamente impossível, mas não apresentou provas de irregularidades. O jornal destacou que as alegações foram rejeitadas pela Justiça Eleitoral e que o próprio PL reconheceu o resultado das urnas.
“Tenho minhas suspeitas”, afirmou o senador ao ser questionado sobre a falta de evidências. Apesar de defender seus questionamentos, Flávio reconheceu a dificuldade de reverter o resultado eleitoral. “Perdi para o sistema”, declarou.
A abordagem da publicação também provocou críticas entre apoiadores bolsonaristas. Antes da divulgação, o comentarista Paulo Figueiredo havia demonstrado expectativa positiva sobre a entrevista, chegando a classificá-la nas redes sociais como “a entrevista que a Globo teve medo de fazer”.
Apesar dos questionamentos, Flávio afirmou que pretende continuar participando da política brasileira, mesmo permanecendo nos Estados Unidos. O senador declarou que retornaria ao país para disputar novamente a Presidência caso fossem convocadas novas eleições. Ele e sua família receberam autorização para permanecer em território americano por pelo menos um ano.
Na noite de quinta-feira, Flávio participou, ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro, de um evento conservador da CPAC, na região de Miami. O encontro também contou com a presença do ator Jim Caviezel, ligado à produção Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
*Com informações da Agenda do Poder

