O candidato ao governo do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) afirmou nesta quarta-feira (7) que pretende conquistar também o apoio de eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa estadual. A declaração foi feita durante uma visita à Rocinha, na Zona Sul do Rio, no segundo dia de agendas após o primeiro turno.

Apesar de reafirmar seu apoio à reeleição do presidente Lula (PT), Paes destacou que parte de seu eleitorado pode fazer uma escolha diferente na disputa presidencial e afirmou que não pretende limitar sua campanha apenas aos eleitores do petista.
“Quero também o voto de quem eventualmente vota no Flávio Bolsonaro. Para ganhar eleição, não posso me restringir só aos votos ao presidente Lula”, afirmou.
Paes disse ter gratidão pelo apoio recebido do governo federal durante sua passagem pela Prefeitura do Rio, mas ressaltou que seus eleitores não necessariamente acompanham seu posicionamento na eleição presidencial.
“Eu tenho muita gratidão ao presidente Lula, voto no presidente Lula, faço campanha para o presidente Lula. Agora, tem pessoas que votam em mim que não fazem campanha, que não votam no presidente Lula”, declarou.
O candidato citou a recuperação do BRT, a municipalização de dois hospitais federais e a recuperação do Aeroporto do Galeão como exemplos de iniciativas que, segundo ele, tiveram apoio do governo Lula durante sua gestão na capital.
“Não sou vassalo do Lula”
Durante a agenda, Paes também procurou marcar diferenças políticas em relação ao presidente e criticou a ideia de que candidatos precisem manter alinhamento integral com Lula ou com o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu já disse, eu não sou do PT. Eu não penso tudo igual ao Lula, eu não sou um vassalo do Lula. As pessoas têm que aprender isso. Virou uma coisa no Brasil, você tem que ser vassalo do Bolsonaro e do Lula, eu não sou”, disse.
Paes também mencionou as quatro eleições que venceu na capital e afirmou que o peso do apoio de Lula foi diferente em cada uma das disputas.
Paes acusa adversários de manobra
O candidato do PSD voltou a fazer críticas a Douglas Ruas (PL) e Anthony Garotinho (Republicanos). Paes acusou os adversários de uma articulação que, segundo ele, teria como objetivo impedir a realização do segundo turno da eleição para governador.
Paes afirmou que a candidatura de Garotinho teria sido articulada pelo PL do Rio para interferir no resultado da disputa estadual.
“A candidatura do Garotinho foi colocada pelo PL do Rio de Janeiro. Qualquer crítica era mero teatro. Eles estavam armados desde o início do processo eleitoral”, afirmou.
A realização do segundo turno ainda depende de uma definição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre os votos recebidos por Garotinho, que desistiu do recurso contra o indeferimento de sua candidatura.
Com os votos de Garotinho incluídos no cálculo, Douglas Ruas aparece com 49,27% dos votos válidos, enquanto Paes soma 42,76%. Caso esses votos sejam excluídos, Ruas ultrapassa a metade dos votos válidos e pode ser declarado eleito ainda no primeiro turno.
A controvérsia ganhou um novo capítulo após a divulgação de que o nome de um advogado de Garotinho aparece nos metadados como autor de um parecer da Procuradoria Eleitoral favorável ao acolhimento da desistência do recurso. O vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa e o advogado Marcello Dias de Paula negaram que o documento tenha sido elaborado pela defesa do ex-governador.
Paes defende que a realização do segundo turno permitirá aos eleitores comparar de forma mais direta sua candidatura com a de Douglas Ruas.
Agenda na Rocinha
Acompanhado da candidata a vice-governadora Jane Reis (MDB), de Pedro Paulo (PSD) e de outros aliados, Paes caminhou pela Rocinha, conversou com moradores e comerciantes e agradeceu os votos recebidos na região.
O candidato prometeu ampliar os investimentos estaduais nas comunidades e defendeu um programa de urbanização em parceria com as prefeituras.
“Me comprometo não só com a Rocinha, mas com todas as comunidades do estado do Rio de Janeiro. Vamos trazer os recursos necessários para obras de urbanização, abertura de vias, em um grande programa que será desenvolvido em parceria com as prefeituras”, afirmou.
Ao falar sobre prevenção a desastres, Paes citou obras de contenção de encostas, instalação de pontos de apoio e sirenes para alertar moradores durante períodos de chuvas fortes. A proposta, segundo ele, é ampliar para outros municípios iniciativas adotadas na capital.
Na área de segurança pública, o candidato voltou a defender a retomada de territórios atualmente dominados pelo crime organizado.
Na terça-feira (6), Paes havia retomado as agendas de rua com visitas a Comendador Levy Gasparian, Três Rios, Rio das Flores e Valença, no Sul Fluminense, onde também defendeu a realização do segundo turno.
*Com informações da Agenda do Poder

