Uma investigação da Polícia Civil sobre uma quadrilha especializada em roubo de cargas no Rio de Janeiro revelou um novo braço do esquema criminoso: uma borracharia na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste da cidade, suspeita de fornecer veículos, equipamentos e mão de obra para a retirada de pneus e rodas de caminhões roubados.

A descoberta foi feita durante as apurações da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), que apontam que criminosos ligados à facção Terceiro Comando Puro (TCP) passaram a obter lucro não apenas com as cargas roubadas, mas também com a desmontagem dos veículos.
As investigações ganharam força após um assalto ocorrido no início de agosto, na Pavuna, na Zona Norte. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que um caminhão é fechado por um carro preto.
Um dos criminosos, apontado pela polícia como um adolescente de 17 anos, invade a cabine armado e obriga o motorista a seguir viagem. O caminhão é levado para o Complexo da Pedreira, onde a carga de carnes, avaliada em cerca de R$ 500 mil, é retirada.
No entanto, os investigadores identificaram outro detalhe: além da mercadoria, as rodas do veículo também foram levadas.
A partir desse caso, a DRFC identificou outros quatro roubos semelhantes na Zona Norte em pouco mais de um mês. Em todos eles, de acordo com a polícia, integrantes do TCP retiravam pneus e rodas dos caminhões enquanto as cargas eram descarregadas em comunidades controladas pela facção.
De acordo com o delegado André Prates, responsável pelas investigações, o esquema exigia uma estrutura especializada.
“Além do roubo da carga, eles têm auferido lucro com a retirada dos jogos de pneus e das rodas dos veículos”, afirmou.
Segundo o delegado, a borracharia alvo da operação desta segunda-feira era responsável por fornecer a estrutura necessária para a ação dos criminosos.
“Ela disponibiliza dois veículos e uma carreta para os ladrões conseguirem fazer a retirada dos equipamentos”, disse Prates.
Ainda de acordo com o delegado, o estabelecimento fornecia o que os investigadores classificam como “assessoria material” à quadrilha.
“Não é fácil fazer a retirada de pneus de caminhão. Tem que ter uma expertise. Eles fornecem recursos humanos, veículos e equipamentos para a facção conseguir aumentar os lucros com a retirada dos pneus e rodas desses caminhões roubados”, explicou.
Nesta segunda-feira (21), agentes da DRFC cumpriram quatro mandados de busca e apreensão contra suspeitos de participação no esquema. Durante a operação, equipes foram atacadas a tiros em Parada de Lucas. Houve confronto e a Avenida Brasil chegou a ser interditada.
O adolescente apontado como responsável por invadir a cabine do caminhão já foi apreendido na comunidade Final Feliz, no Complexo da Pedreira. O comparsa dele foi identificado e continua sendo procurado pela polícia.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos e rastrear o destino dos pneus e rodas retirados dos caminhões roubados.
*Com informações do G1

