Enquanto o ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), mantém sob sigilo total os dados envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado deve votar, nesta quarta-feira (11), requerimentos para solicitar o compartilhamento dessas informações.
No mesmo dia, os integrantes da comissão terão reuniões com a direção da Polícia Federal (PF) e com o presidente do STF, Edson Fachin.
Em 15 de janeiro, o Senado criou um grupo de trabalho para acompanhar investigações e apurações sobre supostas irregularidades atribuídas ao Banco Master. O grupo tem autorização para convocar autoridades e realizar visitas institucionais.
Segundo o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), o pedido de acesso aos dados sigilosos tem como objetivo evitar que as investigações sejam restringidas ou que documentos relevantes deixem de ser analisados.
“Não podemos permitir que esse caso seja abafado. Devemos votar nesta quarta-feira o compartilhamento de dados sigilosos do Banco Master, no mesmo dia em que vamos tratar do assunto tanto na Polícia Federal quanto no Banco Central”, afirmou o senador.
A comissão já se reuniu com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo. No BC, a orientação é de colaboração com os trabalhos da CAE, assim como já ocorre na relação com o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU).
Apesar disso, causou desconforto uma mensagem publicada por Renan Calheiros que foi interpretada como uma ameaça indireta a Galípolo. O senador lembrou que um ex-presidente do Banco Central já saiu preso do Congresso e afirmou esperar que isso não volte a acontecer, dizendo confiar no apoio do atual presidente da instituição.
Interlocutores de Gabriel Galípolo ressaltam que o Banco Central atuou de forma técnica desde o início do caso e que não houve complacência com Daniel Vorcaro. Segundo eles, o empresário acionou sua rede de apoio político para tentar impedir a liquidação do Banco Master, mas não obteve sucesso.
As mesmas fontes afirmam ainda que, caso tenha ocorrido alguma falha no processo, a comissão de sindicância deverá esclarecer os pontos críticos e indicar medidas para evitar problemas semelhantes no futuro.

