A crise política, econômica e social enfrentada pela Venezuela provocou um aumento expressivo no número de imigrantes atendidos pelo Bolsa Família no Brasil. Em um intervalo de oito anos, a quantidade de venezuelanos beneficiários do programa passou de 1.062, no fim de 2017, para 205 mil em setembro de 2025.
A ampliação está diretamente relacionada ao crescimento do fluxo migratório a partir de 2018, período em que estados do Norte do país, como Roraima e Amazonas, começaram a enfrentar maior pressão sobre os serviços públicos e as estruturas de acolhimento. Com a criação da Operação Acolhida, houve avanço na regularização migratória, na emissão de CPF e na inclusão desses imigrantes no Cadastro Único, exigências para acesso aos programas sociais.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, os venezuelanos representam cerca de 61% dos 331 mil estrangeiros, de 211 nacionalidades, atualmente incluídos no Bolsa Família. O ingresso ocorre com base nos mesmos critérios aplicados aos brasileiros, como renda familiar per capita de até R$ 218 por mês.
O valor médio pago às famílias venezuelanas é de aproximadamente R$ 780 mensais. A maioria dos beneficiários se encontra em situação de vulnerabilidade social e possui crianças, adolescentes ou idosos na composição familiar. O programa exige o cumprimento de condicionalidades, como frequência escolar mínima de 60% e vacinação em dia.
A maior concentração desses beneficiários está em estados de fronteira e em grandes centros urbanos. São Paulo aparece entre os principais polos, reunindo cerca de 26 mil venezuelanos cadastrados em programas sociais federais.
O custo fiscal do atendimento a estrangeiros no Bolsa Família é estimado em cerca de R$ 1,5 bilhão por ano. O tema faz parte dos debates sobre orçamento público e política migratória. O governo federal afirma que a concessão do benefício segue a legislação vigente, que garante acesso às políticas sociais a imigrantes com residência regular e em situação de pobreza.
Com a diminuição do ritmo de chegada de novos migrantes, técnicos apontam para uma tendência de estabilização no número de beneficiários, com prioridade para ações de qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho como forma de reduzir a dependência do programa social.

